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"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça" (II Timóteo 3:16)

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Teocentrismo
01/09/2008

O processo comunicativo de Deus


  Gênesis inicia relatando Deus usando a linguagem, expressando sua vontade através da verbalização. E disse Deus: Haja Luz. Ao imperativo de seu comando, então houve luz. João se refere à Jesus como “Logos”. Esse termo grego é uma referência à Palavra poderosa e criadora de Deus como vimos em Gênesis e pela quais céus e terras foram criados. Em Ap 19:13, João descreve Jesus da seguinte forma: “E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus”. O apóstolo declara ainda em Jo 1:14 : “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”. Assim temos a evidência de que Deus desde o princípio usa a palavra como veículo de expressão do seu Ser.

  O homem, feito a imagem e semelhança de Deus, não poderia ser diferente: nasce tanto individualmente quanto socialmente um ser comunicativo. É portanto através da linguagem que Deus vai interagir com o homem. Essa interação se deu de diversas formas. Ora Deus se comunicou diretamente com as pessoas (Adão, Moisés), ora através das pessoas (os profetas), ora fazendo de sua palavra decretos causadores de eventos (criação da terra, dos seres viventes) e também através da palavra escrita usando o homem como co-autor, como veículo para registrar a Palavra de Deus.

  Nesse processo de registro escrito da palavra divina, Deus não fez um ditado ao homem. Apesar de termos alguns exemplos de ditados feito por Deus (Ap 2:1, 2:8 e 2:12), não é este o processo que Deus usou na maior parte do registro bíblico. Prova disso é que cada autor humano conservou no texto seus conhecimentos literários e linguísticos e o contexto cultural em que estava inserido. Porém o resultado final sobre o que Deus queria que fosse registrado é garantido através do processo da inspiração, que é a ação do Espírito Santo no homem.

  Uma vez tendo esse registro da Palavra de Deus agora precisamos passar a compreensão desse registro. Conforme nos distanciamos das línguas originais das Escrituras Sagradas e nos afastamos do contexto em que viviam os leitores diretos do texto original, passamos a depender da hermenêutica e da exegese para recuperar a compreensão original desses textos e aí começamos a entrar em alguns conflitos: Nesse trecho faço a interpretação literal ou usou-se de alegoria, de metáfora ? Há um sentido hiperbólico quando Jesus diz: “Arranca teu olho se este te escandaliza” ? (Mt 5:29).

  Na Idade-Média chegou-se a dar até sete interpretações para um mesmo texto. Os métodos mais comuns eram o sentido histórico-literal, o alegórico, o moral e o anagógico. Já o método histórico-crítico predominou a partir da Renascença, ganhou impulso com o Iluminismo e consequentemente levou ao método da alta-crítica. Esse novo enfoque interpretativo tinha por objetivo aplicar o método científico aos estudos bíblicos e acabou impregnando as interpretações de um teor altamente racional que chegou até a eliminar aquilo que era sobrenatural, como os milagres por não serem explicáveis racionalmente.

  A situação atual procura aparar estas distorções e busca uma interpretação histórico-bíblica, aproveitando a parte boa do método histórico-crítico e do método fundamentalista ou biblicista. Esse novo modelo dá importância tanto ao resgate do contexto cultural, político e geográfico dos autores e leitores originais, ao estudo das línguas originais trabalhando a acurácia histórica dos livros da Bíblia, quanto aos princípios fundamentais da fé como a inerrância e a autoridade da Escritura, a pessoa hipostática de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expiação vicária, etc. Creio estarmos caminhando para finalmente uma compreensão equilibrada da Palavra de Deus.


Bibliografia
Grudem, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. Editora Vida Nova.
Fee, Gordon D. e Stuart, Douglas. Entendes o que lês?. Editora Vida Nova.




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