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Teocentrismo
13/11/2008

A ciência da Hermenêutica


  Hermenêutica é a ciência cujo objetivo primário é obter o sentido claro do texto, uma interpretação que chegue o mais próximo possível da finalidade do texto. Essa ciência segue rumos diferentes de acordo com o foco do grupo que a desenvolve. Podemos ter portanto uma hermenêutica judaica, católica ou protestante.

  A primeira tarefa da interpretação é chamada de Exegese e que tem por objetivo o estudo do texto para descobrir a intenção original conforme os destinatários entendiam e aplicam as palavras da Bíblia.

  O método exegético aborda dois aspectos: contexto e conteúdo. O contexto pode ainda ser dividido em histórico e literário. O contexto histórico está ligado à época e a cultura do autor e dos leitores, incluindo aí fatores geográficos e políticos. A ocasião e o propósito do texto ou livro também são itens importantes no contexto histórico. A busca de respostas para tais questões ajudam a ter idéia das circunstâncias motivadoras da elaboração de determinado livro/texto bíblico. O contexto literário define que as palavras apenas fazem sentido dentro das frases e que as frases ligam-se à frases anteriores e posteriores do texto objeto de estudo, além disso temos que reconhecer a unidade de pensamento do autor: prosa, poesia, etc. Já o conteúdo refere-se aos significados das palavras, os relacionamentos gramaticais e a análise de textos variantes dos manuscritos usados para a tradução.

  A segunda tarefa consiste na hermenêutica, que é a aplicação de princípios, métodos e técnicas para interpretação e compreensão do texto bíblico. Nessa segunda etapa podemos por exemplo buscar a relevância contemporânea do texto bíblico a ser analisado. Entretanto devemos ter em mente que a hermenêutica apropriada começa com uma exegese séria, tendo em vista que um texto não pode significar o que nunca significou ou que um texto sem contexto se torna pretexto, sendo a própria exegese parte dessa ciência chamada Hermenêutica.

  Outro aspecto importante é reconhecer o gênero literário do livro ou do texto. Deus ao revelar sua Palavra permite que o autor humano faça o registro conforme as características de tempo e espaço em que o autor está inserido. Assim temos autores com diferentes níveis de educação e com experiências diferentes e que registraram a Palavra de Deus com vocabulários e estilos diferentes. Vamos encontrar, portanto, na Bíblia uma rica variedade de gêneros literários: o narrativo-histórico composto de histórias populares, epopéias e histografias; o narrativo-didático como mitos, sagas, parábolas, fábulas e alegorias; o estilo legislativo; sapiencial; profético; cartas ou epístolas; hínicos e apocaliptos.

  No decurso da história da interpretação bíblica vamos encontrar variantes na forma de fazer hermenêutica. Nos primeiros séculos do cristianismo surge na escola de Alexandria o método alegórico que buscava um significado mais profundo além do significado literal do texto. Na mesma época nos deparamos também com a escola de Antioquia que por ter uma base mais semítica desenvolve uma interpretação mais literal da Bíblia, ao contrário de Alexandria que tinha por base a filosofia helênica, principalmente o platonismo. Na Idade Média encontramos desenvolvidos quatro principais tipos de interpretações: o literal, o alegórico, o moral e o anagógico. O período da Reforma Protestante buscou o sentido primário, histórico e gramatical do texto bíblico. Já o Protestantismo Moderno vai se deparar com o surgimento do iluminismo, do deísmo, ceticismo e racionalismo e influenciado por tais movimentos passa a adotar o que se chamou de método histórico-crítico que consistia em tornar os estudos bíblicos o objeto de estudo científico. A situação atual procura uma interpretação histórico-bíblica, aproveitando a parte boa do método histórico-crítico e do método fundamentalista ou biblicista. Esse novo modelo dá importância tanto ao resgate do contexto cultural, político e geográfico dos autores e leitores originais, ao estudo das línguas originais trabalhando a acurácia histórica dos livros da Bíblia, quanto aos princípios fundamentais da fé como a inerrância e a autoridade da Escritura, a pessoa hipostática de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expiação vicária, etc.

  Diante de tantas opções de se fazer hermenêutica, podemos destacar cinco regras para ajudar na tarefa da exegese e que vão servir para controlar a própria atividade da interpretação evitando assim as chamadas heresias. Assim temos como primeira regra a interpretação léxica que é conhecer a etimologia das palavras. Bons dicionários ajudam nessa tarefa. A segunda regra é a interpretação sintática que é o conhecimento gramatical da língua. Em terceiro temos a interpretação contextual cujo foco é a unidade de pensamento do texto (versículos anteriores e posteriores, capítulos anteriores e posteriores, o livro como um todo e a própria Bíblia). A quarta regra é sobre a interpretação histórica que se refere às circunstâncias que envolvem a elaboração do texto. Por último temos a interpretação da analogia bíblica que define a Bíblia como sua própria intérprete e entende que para uma determinada interpretação não pode haver conflito com o ensino geral da Bíblia.

  O processo de hermenêutica não se limita a essas cinco regras, mas garantí-las como premissas básicas para a interpretação já ajuda a evitar as distorções na interpretação bíblica e a fazer uma hermenêutica saudável.

Bibliografia
Fee, Gordan D. E Stuart, Douglas. Entendes o que lês? Ed. Vida Nova.
Geisler, Normam (organizador). A Inerrância da Bíblia. Ed. Vida.




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