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"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça" (II Timóteo 3:16)

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Teocentrismo
13/02/2010

As 70 semanas de Daniel.

I - Introdução ao Estudo da Profecia.

  As profecias possuem uma ou todas das seguintes características:

    a) chamar o povo de Deus ao arrependimento;

    b) alertar para juízos divinos;

    c) trazer esperança e consolo ao povo;

    d) apontar para a atividade messiânica cumprida em Jesus;

  A atividade profética tem, portanto, como principal função convocar o povo de Deus para cumprir a vontade divina, servindo como orientadora da moralidade e justiça divina para o homem.

  A palavra hebraica para profeta é “nabi”, cuja raiz aponta para uma origem assíria ou árabe e que significa proferir, anunciar uma mensagem. Nabi é, portanto, a pessoa que tem a missão de anunciar uma mensagem divina no contexto das Escrituras Sagradas. Do mesmo modo na Septuaginta e nos escritos do N.T. a palavra grega “prophetes” indica aquele que expõe em fala sobre certo assunto.[1]

  O mecanismo de recebimento da profecia pelo profeta é feito de forma diferente daquele da concepção pagã, onde o profeta encontrava-se numa posição absolutamente passiva. Nas profecias bíblicas, o profeta está numa condição onde podemos ver nos seus escritos as marcas do seu conhecimento cultural e literário, além da contextualização geográfica, histórica, política e social do mesmo, demonstrando um processo ativo.

  Vários eram os propósitos das profecias. Jeremias por exemplo trazia ao povo de Israel a visão do juízo divino referente à queda de Judá diante do Império Babilônico; Jonas demonstra a preocupação de Deus para com os gentios; Isaías é uma obra profética praticamente messiânica; Daniel é considerado apocalíptico, abordando temas como a manifestação do homem do pecado (o Anticristo), a Grande Tribulação, a parusia ou segunda volta de Jesus Cristo e o Juízo Final. Dentro desses temas proféticos de Daniel, daremos destaque à compreensão das 70 semanas de Daniel.

II - O livro de Daniel.

  O livro de Daniel apresenta fatos históricos que vão desde o primeiro exílio babilônico da nação de Israel em 605 a.C., passando pela queda do Império Babilônico em 539 a.C. diante do novo Império Medo-Persa, estendendo-se até o terceiro ano de Ciro (536 a.C.). O livro foi escrito entre os anos 536 a.C. e 530 a.C. (ano provável da morte do profeta).[2]

  No ano de 605 a.C. quando o Faraó Neco foi derrotado por Nabucodonosor na batalha de Carquemis, passando o reino de Judá do controle assírio-egípcio para o babilônico, Daniel, ainda um adolescente, fora deportado no primeiro exílio babilônico, do qual muito o profeta Jeremias já havia atentado. A partir daí Daniel começa seu ministério profético.[3]

III - Jeremias e os 70 anos de Exílio.

  Para entendermos as 70 semanas de Daniel temos que primeiramente dar uma olhada na profecia de Jeremias sobre os 70 anos de exílio dos judeus. Uma conexão é estabelecida por Daniel no início do capítulo 9:2 - “No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos”. Os 70 anos de exílio profetizados por Jeremias não são por acaso, possuem um propósito da parte de Deus em relação a sua Lei ditada a Moisés. Deus havia dado o seguinte mandamento que se encontra em Ex 23:10-11 “Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos; Mas ao sétimo a dispensarás e deixarás descansar, para que possam comer os pobres do teu povo, e da sobra comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival”. Nesse mandamento Deus ordena que a terra ficasse um ano sem ser cultivada a cada período de 7 anos, portanto seriam 6 anos de cultivo e 1 ano de descanso. Esse padrão “6 x 1” já é conhecido, pois é o mesmo adotado para o descanso semanal (6 dias trabalharás, mas no sétimo dia descansarás – Ex 23:12). Com esse padrão o sétimo ano passou a ser conhecido como o ano sabático e o tempo total de sete anos como semanas de ano.

  Entretanto, esse mandamento não fora seguido pelos israelitas e em Levítico 26:33-35, Deus já anuncia o que haveria de acontecer a nação de Israel: “E espalhar-vos-ei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós; e a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas. Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; então a terra descansará, e folgará nos seus sábados. Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vossos sábados, quando habitáveis nela”. Uma confirmação desse juízo divino podemos ver em 2 Cr 36:21 “Para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram”. Esse é um ponto chave para entendermos o que são as 70 semanas de Daniel.

IV - As 70 semanas de Daniel.

  A profecia das 70 semanas em Daniel 9:24-27 diz: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.”

  Logicamente todos esses eventos descritos por Daniel não poderiam e nem aconteceram em 70 semanas. O termo empregado para “semanas” nesse texto de Daniel é heptads (grego) ou shabua (hebraico) e significa “período de sete”.[4] Portanto a melhor tradução seria os 70 setes ou 70 x 7 = “490 anos”. Outra forma de interpretação é usando o conceito de “semanas de ano” conforme vimos no capítulo 23 de Êxodo a respeito do ano sabático. Dessa forma as 70 semanas devem ser lidas como semanas de ano, o que nos dá o mesmo período de tempo: 70 semanas de anos (70 x 7) = 490 anos. O que nos permite entender do porquê de Daniel iniciar o capítulo 9 com uma referência a profecia de Jeremias sobre os 70 anos de exílio.

  Os 490 anos, ou 70 semanas ou ainda os 70 setes são divididos da seguinte forma:


1ª parte: 7 semanas ou 49 anos (7 setes):As 7 semanas tem início com a emissão da ordem para edificar Jerusalém.
2ª parte: 62 semanas ou 434 anos ou (62 setes):Após o período de 62 semanas será morto o Messias e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário.
3ª parte: 1 semana ou 7 anos (1 sete): Eventos que apontam para os últimos dias, a Grande Tribulação, o surgimento do anticristo e a vinda de Jesus.


V - A cronologia das 70 semanas.

  Basicamente existem quatro datas apontadas como início das 70 semanas:

  a) a partir do primeiro grupo que retornou do exílio.

  O ano de 538 a.C. é o ano da profecia de Daniel (ver Dn 9:1 – “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus”).

  Nesse mesmo ano Ciro, o conquistador do império babilônico, emite o seguinte decreto relatado por Esdras (ver Ed 1:1-8):

  “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que está em Judá, e edifique a casa do SENHOR Deus de Israel (ele é o Deus) que está em Jerusalém. E todo aquele que ficar atrás em algum lugar em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, com ouro, com bens, e com gados, além das dádivas voluntárias para a casa de Deus, que está em Jerusalém. Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do SENHOR, que está em Jerusalém. E todos os que habitavam nos arredores lhes firmaram as mãos com vasos de prata, com ouro, com bens e com gado, e com coisas preciosas; além de tudo o que voluntariamente se deu. Também o rei Ciro tirou os utensílios da casa do SENHOR, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém, e que tinha posto na casa de seus deuses. Estes tirou Ciro, rei da Pérsia, pela mão de Mitredate, o tesoureiro, que os entregou contados a Sesbazar, príncipe de Judá.”

  Sesbazar é o nome babilônico de Zorobabel, o líder do primeiro retorno dos judeus à Jerusalém. A data provável do retorno é 538 a.C. quando aproximadamente 50.000 pessoas partiram com Zorobabel.[5]

  A aparente discrepância nos nomes do rei persa entre Daniel e Esdras, o primeiro cita Dario como rei medo e o segundo Ciro como rei persa, é colocada pelos historiadores da seguinte forma:

  1) Dario e Ciro são as mesmas pessoas. Dario é o nome medo, enquanto Ciro é o nome persa.

  2) Ciro e Dario governavam juntos. Ciro como o rei do império medo-persa em campanha militar enquanto Dario governava a Babilônia.

  A partir então de 538 a.C. temos os seguintes cálculos:

Início das 7 semanas: 538 a.C.A partir do edito de Ciro para o retorno dos judeus;
7 semanas (49 anos): 538 a.C. até 489 a.C.
62 semanas (434 anos) : 489 a.C. até 55 a.C.
desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Após as 62 semanas: a partir de 55 a.C.E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
Início da última semanaEssa parte da profecia acontecerá nos eventos escatológicos da segunda vinda de Jesus.


  Outra forma de calcular a partir do decreto de Ciro baseia-se não a partir do ano do decreto, mas sim a partir do ano provável do retorno em 536 a.C. em conformidade com a profecia de Jeremias 28:2-3: “Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrei o jugo do rei de babilônia. Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da casa do SENHOR, que deste lugar tomou Nabucodonosor, rei de babilônia, levando-os a babilônia.”

  A partir então de 536 a.C. temos os seguintes cálculos:

Início das 7 semanas: 536 a.C.A partir do ano do primeiro retorno dos judeus com Zorobabel;
7 semanas (49 anos): 536 a.C. até 487 a.C.
62 semanas (434 anos) : 487 a.C. até 53 a.C.
desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Após as 62 semanas: a partir de 53 a.C.E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
Início da última semanaEssa parte da profecia acontecerá nos eventos escatológicos da segunda vinda de Jesus.


  A argumentação desfavorável para usar essas 2 datas aponta para o fim das 62 semanas, cujo ano 55 a.C ou 53 a.C fica muito distante da morte do Messias conforme a segunda parte da profecia (depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias). De qualquer forma a profecia diz após as 62 semanas e não logo após as 62 semanas. Outro ponto contra é que o edito de Ciro fora para reedificar apenas o templo.

  b) a partir da confirmação do decreto de Ciro feita por Dario I Hystaspes.

  Dario I governou o império medo-persa de 522 a.C. até 486 a.C. No primeiro ano do seu reinado, Dario confirmou o decreto de Ciro para a reedificação do templo de Jerusalém, conforme Esdras 6:1-12:

  “Então o rei Dario deu ordem, e buscaram nos arquivos, onde se guardavam os tesouros em babilônia. E em Acmeta, no palácio, que está na província de Média, se achou um rolo, e nele estava escrito um memorial que dizia assim: No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes...Deixai que se faça a obra desta casa de Deus; que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem esta casa de Deus no seu lugar... O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome derrube a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para mudar o decreto e para destruir esta casa de Deus, que está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto; com diligência se faça”.

  O Templo de Jerusalém foi restaurado e ficou pronto em 515 a.C. a partir da retomada dos trabalhos motivados pelos profetas Ageu e Zacarias. Baseado nessa data de 522 a.C. temos os seguintes cálculos:

Início das 7 semanas: 522 a.C.Confirmação do edito de Ciro pelo rei Dario I
7 semanas (49 anos): 522 a.C. até 473 a.C.
62 semanas (434 anos) : 473 a.C. até 39 a.C.
desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Após as 62 semanas: a partir de 39 a.C.E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
Início da última semanaEssa parte da profecia acontecerá nos eventos escatológicos da segunda vinda de Jesus.


  Os mesmos argumentos contra essa provável data usados para o ano de 538/536 a.C. são usados aqui: o decreto é apenas uma confirmação para a restauração do templo e o ano de 39 a.C. está muito distante do ministério de Jesus.

  c) a partir do segundo grupo a retornar a Jerusalém com Esdras.

  O segundo grupo a retornar para Jerusalém foi liderado por Esdras e teve como principal objetivo restabelecer o culto no Templo. O retorno de Esdras fora autorizado através de um decreto emitido por Artaxerxes I em 457 a.C. Artaxerxes I governou o império medo-persa de 465 até 425 a.C. Mais de 17000 exilados retornaram junto com Esdras.[6] O cálculo baseado nessa data é a que mais se aproxima do período do ministério de Jesus e sua morte. Apesar de o decreto ser para o restabelecimento do culto no templo, em Esdras 4:11-13, temos a descrição de uma carta enviada a Artaxerxes pelos opositores da restauração de Jerusalém que demonstra indícios de que a cidade estava sendo restaurada: “Este, pois, é o teor da carta que mandaram ao rei Artaxerxes: Teus servos, os homens dalém do rio, em tal tempo. Saiba o rei que os judeus, que subiram de ti, vieram a nós em Jerusalém, e reedificam aquela rebelde e malvada cidade, e vão restaurando os seus muros, e reparando os seus fundamentos. Agora saiba o rei que, se aquela cidade se reedificar, e os muros se restaurarem, eles não pagarão os direitos, os tributos e os pedágios; e assim se danificará a fazenda dos reis.”

  A partir então de 457 a.C. temos os seguintes cálculos:

Início das 7 semanas: 457 a.C.A partir do ano do segundo retorno dos judeus com Esdras;
7 semanas (49 anos): 457 a.C. até 408 a.C.
62 semanas (434 anos) : 408 a.C. até 26 d.C.
desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Após as 62 semanas: a partir de 26 d.C.
26 d.C - muito próximo do início do ministério de Jesus que ocorreu em 27 ou 28 d.C.
30 d.C. – Jesus é crucificado.
70 d.C. – destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos pelo general Tito.
E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
Início da última semanaEssa parte da profecia acontecerá nos eventos escatológicos da segunda vinda de Jesus.



  d) a partir do terceiro grupo a retornar a Jerusalém com Neemias.

  Em 445 a.C, Artaxerxes permite que Neemias vá para Jerusalém para restaurar os muros e reedificar a cidade: Ne 2:1-5 – “Sucedeu, pois, no mês de Nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu peguei o vinho e o dei ao rei; porém eu nunca estivera triste diante dele. E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração; então temi sobremaneira. E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus, E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique”.

  A partir então de 445 a.C. temos os seguintes cálculos:

Início das 7 semanas: 445 a.C.A partir do ano do terceiro retorno dos judeus com Neemias;
7 semanas (49 anos): 445 a.C. até 396 a.C.
62 semanas (434 anos) : 396 a.C. até 38 d.C.
desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Após as 62 semanas: a partir de 38 d.C.
38 d.C – esta muito depois da crucificação de Jesus que ocorreu em 30 d.C.
70 d.C. – destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos pelo general Tito.
E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
Início da última semanaEssa parte da profecia acontecerá nos eventos escatológicos da segunda vinda de Jesus.


  Apesar desse decreto ser o mais adequado ao cumprimento da profecia de restaurar e edificar Jerusalém, a data de 445 a.C. é descartada uma vez que as 62 semanas terminam em 38 d.C. muito após a morte de Cristo. Entretanto adiante veremos uma forma que torna essa data também possível para o cumprimento da profecia.

VI - Os acontecimentos da última semana de Daniel.

  A última semana (7 anos) aponta para os eventos escatológicos descrito no Apocalipse de João: a vinda do anticristo, o tempo da Grande Tribulação e a vinda de Jesus: “E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador”.

  Esse período de sete anos é dividido em dois períodos de 3,5 anos. No primeiro período (os primeiros 3,5 anos) o príncipe (soberano mundial, anticristo) fará aliança com os judeus e estabelecerá um governo universal onde todos estarão sujeitos. Esse governante mundial mostrará a sua face a partir da segunda metade (os próximos 3,5 anos). Então ele romperá com Israel, declarar-se-á Deus, profanará o Templo de Jerusalém, proibirá a adoração a Deus e assolará a terra de Israel. Esse é o sinal que a Grande Tribulação já começou e será assim até o retorno de Jesus para derramar sobre o assolador o que está determinado.[7]

  Podemos fazer uma associação dos 3,5 anos de Daniel com:

    • Apocalipse 11:2-4 –“E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses [42/12=3,5 anos]. E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias [1260 /360 = 3,5 anos], vestidas de saco. Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra”.

    • Apocalipse 12:6 – “E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias [1260 /360 = 3,5 anos]”.

    • Apocalipse 13:5 – “E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses [42/12=3,5 anos]”.

  Se dividirmos 42 meses por 12, temos: 3,5 anos. O mesmo para 1260 dias que divididos por 360 dias dão: 3,5 anos. O ano bíblico possui 360 dias conforme Gn 7:11,24 e 8:4 e os versículos acima de Apocalipse.[8]

  A opção do ano bíblico de 360 dias (também conhecido como ano patriarcal[9]) faz com que a data de 445 a.C. volte a ser cogitada como a data para o cumprimento das 7 semanas + 62 semanas de Daniel. Se calcularmos as 69 semanas usando o ano bíblico de 360 dias teremos: 69 x 7 = 483 anos. Então 483 anos de 360 dias são 173.880 dias. Convertendo para ano de 365 dias teremos arredondando: 476 anos. Portanto 445 a.C. – 476 anos = 31 d.C. Próximo do ano da morte de Jesus que foi 30.d.C.[10] Uma diferença que pode ser desconsiderada justamente pela sua proximidade.

  Entretanto, o uso do ano com 360 dias é apenas especulação, uma vez que o ano judaico era regido pelo ano lunar com 354 dias, acrescentando-se um mês, chamado ve-adar, para completar os 365 dias do ano solar.[11] Dessa forma pode-se adotar tanto o ano de 457 a.C vinculado ao segundo grupo a retornar a Jerusalém com Esdras; o ano de 445 a.C relacionado ao terceiro grupo a retornar a Jerusalém com Neemias e até mesmo a partir do decreto de Ciro em 538/536 a.C.

  Portanto, apenas devemos ter em mente que a questão mais importante é que a profecia dada por Deus e transmitida por Daniel se cumpriu perfeitamente (as sete semanas + as sessenta e duas semanas) e se cumprirá (a última semana) na vida do povo de Deus.


VII - Notas

[1] Dicionário Bíblico Universal, Ed. Vida Acadêmica, 2007, p. 498.

[2] Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. CPAD, 1995, p. 1241.

[3] Manual Bíblico SBB, Ed. SBB, pp. 456-457.

[4] Ellisen, Stanley A., Conheça Melhor o Antigo Testamento, Ed. Vida, p. 266.

[5] Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. CPAD, 1995, p. 709.

[6] Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. CPAD, 1995, p. 709.

[7] Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. CPAD, 1995, p. 1857.

[8] Ellisen, Stanley A., Conheça Melhor o Antigo Testamento, Ed. Vida, p. 267.

[9] Dicionário Bíblico Universal, Ed. Vida Acadêmica, 2007, p. 149.

[10] Ellisen, Stanley A., Conheça Melhor o Antigo Testamento, Ed. Vida, p. 267.

[11] Dicionário Bíblico Universal, Ed. Vida Acadêmica, 2007, p. 149.

VII - Referências Bibliográficas

Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. CPAD, 1995.
Dicionário Bíblico Universal, Ed. Vida Acadêmica, 2007.
Ellisen, Stanley A., Conheça Melhor o Antigo Testamento, Ed. Vida, p. 266.
Manual Bíblico SBB, Ed. SBB.




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